sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A negação do Cristianismo como Condição da Nova Filosofia




A negação do cristianismo como condição da nova filosofia



Toda a modernidade foi um período de incoerências, contradições e indecisões. Nascia um novo tempo de incertezas com o enfraquecimento da religiosidade dando inicio a liberdade da razão. O poder divino já não estava tão em alta assim e já brotava nos horizontes os primeiros indícios de uma república democrática. Assim, era esta dualidade entre aqueles que insistiam em conservar o antigo e aqueles que buscavam o novo que permeava o pensamento nesse período da história.  Dentro deste contexto, surge então a seguinte questão: qual é a real necessidade diante do antigo e desgastado modelo cristianizado e da possibilidade de um novo modelo de mundo que agora se iniciava sobre a égide da razão?
A história da humanidade é a própria narrativa do desenvolvimento religioso com suas respectivas nuances. Mas nunca se havia tido tanta contrariedade à forma de pensar do homem como ocorrera no período moderno. Em passos lentos o homem foi aos poucos percebendo que poderia ser mais ou fazer mais do que um simples e mero coadjuvante no teatro da vida, surge então a idéia de livre-arbítrio e de liberdade, de um deus que podemos enterrar, de um super-homem que pode com a força de seu trabalho encontrar a felicidade.
A reforma da filosofia, segundo Feuerbach, é um efeito consequente e necessário da máxima de que “Deus é homem, o homem é Deus”, ou seja, tal reforma teórica dever-se-á adequar-se a este novo modelo que se instaura ao longo dos anos modernos. A situação paradoxal que contextualizava este pano de fundo histórico era a de um homem preste a uma libertação política e daquele ainda subjugado a uma religião em declínio. Então, não demora para que seja “decretada” a negação do cristianismo  e o grito solitário do homem ecoa em um mundo agora vazio de espíritos, de regras morais, de fé. Milhares de anos do pensamento filosófico e teológico agora são simplesmente deixados de lado em detrimento de uma nova e sutil forma de dominação, a do Estado.
O Estado agora é a realidade, é o céu na terra. Uma vez que aquele Deus protetor, conservador, sai de cena para dar lugar a uma comunidade de homens que agora trocaram a fé em um Deus transcendente pela política prática do Estado real.
Diante desse imediatismo histórico cabe a filosofia então adequar-se a esta nova conjuntura saindo do metafísico, do supra-sensível e adentrando na problemática social humana, uma vez que na prática o cristão foi trocado pelo homem, deve também a teoria inevitavelmente substituir o divino por aquilo que é prático do humano.
A filosofia, por conseguinte, será, neste novo cenário, a causa comum e universal que deveria tornar-se a si própria uma religião fundamental, assim como o era o cristianismo. A religião que agora não mais se preocupa com as questões religiosas deve tornar-se em si mesma a nova religião.
Decretou-se então o acabamento da velha filosofia, a qual tentava em vão, dialogando com a teologia, buscar uma explicação para o homem e para o mundo a partir da ótica de um deus metafísico. Agora, uma nova filosofia é instaurada tendo por alvo de suas explicações e discussões o homem a partir do próprio homem.
As bases do pensamento protestante estabeleceram as diretrizes para o novo modelo de mundo, sem dúvida, o pensamento religioso que se libertara da velha religião acabou por abrir os caminhos para o domínio político sobre a própria religião, assim, o grito de liberdade protestante caracteriza-se também por um apelo político necessário em direção a liberdade. A religião que reformulou a religião tornou-se política, elegendo por deus o Estado, tendo por adepto não mais o devoto crente, mas o homem. Este apelo por uma liberdade política não deixa de ser esperneio de revolta para com um sistema religioso que nunca morreu inteira e completamente, ainda que a sua forma original já não se preserve mais.
Por fim, o presente texto conclui que o homem moderno construiu laços que o homem contemporâneo agora não consegue mais sair deles, ou seja, não há mais retorno para um mundo capitalizado e globalizado cujos avanços tecnológicos e científicos despertos pela modernidade jamais serão conformados com as realidades econômicas e desigualdades sociais que são exigências deste sistema.

A conclusão disso é que, da luta entre a religião e a liberdade política venceu o opressor e carrasco capital, mamon tornou-se o deus deste novo século e a filosofia foi amputada e decapitada, respirando apenas por seu passado de glórias e engolida por outras disciplinas surgidas na contemporaneidade tornou-se genérica, artificial, mera antropologia, perdendo sua essência mais sublime, a de ser uma filosofia verdadeiramente filosófica. 

Davi Gadelha Pereira









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