segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

COMENTÁRIOS ACERCA DA TEORIA DE WITTGENSTEIN

COMENTÁRIOS ACERCA DA TEORIA DE WITTGENSTEIN



Para Wittgenstein este mundo é objeto da investigação científica, por estar composto de uma série de fatos elementares aparentemente isolados uns dos outros. A linguagem tem por função exprimir esses fatos através de “quadros mentais”. Quando isso é feito, ocorre certa similaridade estrutural entre a linguagem e a realidade aludida, ou seja, aquilo que é verdade no mundo deve ser verdadeiro na linguagem, visto ser essa a maneira de comunicar e saber. Os quadros mentais da linguagem são como as proposições atômicas linguísticas, com paralelos nos fatos da existência. Há uma correspondência “de um por um”, entre os objetos e os elementos da linguagem. Qualquer proposição que deixe de enquadrar um fato ou que deixe de exprimir uma tautologia é destituída de sentido. Para ele, as declarações metafísicas e éticas cairiam dentro dessa categoria, conforme também afirma o positivismo.
Ele considerava de “contra-senso” a seus próprios escritos, mormente o seu Tractatus, ainda que do tipo útil, visto que, através dos exercícios ali sugeridos, o indivíduo é capaz de descobrir que a filosofia é inútil. Entretanto, seus desenvolvimentos filosóficos posteriores mostram que ele veio a rejeitar essas reduções simplistas ao nada. Durante algum tempo, ele abandonou todo esforço filosófico, por pensar que já havia exaurido tudo quanto há de útil na mesma. Depois, porém, percebeu que essas suas ideias eram superficiais.
Nos estágios finais de seu pensamento, ele percebeu que a linguagem tem variados propósitos, e não meramente aquele de descrever alguma ideia, conforme foi dito acima. Antes, ele passou a falar sobre vários “jogos de linguagem”, envolvidos na linguagem. A “descrição” é um desses jogos, mas isso não envolve o todo da linguagem. Há outras categorias e jogos da linguagem, como a oração, o louvor, a maldição, a solicitação e a saudação cerimonial. Há muitas coisas assim envolvidas na linguagem, sendo inútil procurar uma teoria unificada da linguagem que seja capaz tudo em termos simplistas. A linguagem veio a ser considerada como um “instrumento social” com uma larga gama de aplicações e usos, que busca o cumprimento de variados propósitos. Daí, nossa tarefa consiste em entender  os jogos da linguagem. Palavras específicas não podem ser reduzidas à realização de alguma tarefa única e simples. Antes, os vocábulos são plásticos, podendo tornar-se “sinais” de muitas coisas, dentro do contexto de diferentes jogos que estejam sendo jogados. Mas, poderíamos perceber “semelhanças de família” que as palavras apresentam, mas cada caso, isto é, cada jogo, precisa ser julgado segundo os seus próprios termos.

Segundo o método de Wittgenstein, uma linguagem individual é impossível, visto que toda linguagem envolve “acordo” entre pelo menos duas pessoas. As palavras também não exprimem estados mentais nunca antes observados, e isso também seria uma espécie de linguagem individual. Os conceitos que apresentam dificuldades devem ser descritos em termos ou figuras de linguagem aparentemente paradoxais ou contraditórios. Geralmente, nesse ponto, surgem as perplexidades. Por meio da investigação, da comparação e da descrição, a pessoa gradualmente elimina o quebra-cabeça que se havia apresentado. A pessoa tenta desvendar a natureza do jogo da linguagem que está sendo jogado essencialmente por inventar novos jogos da linguagem, que melhor expliquem aquilo que está se tentando expressar. Mediante tais exercícios, tudo é desvendado, e como que por um passe de mágica podemos ver que nada mais há para ser explicado. Quando isso ocorre, temos vencido o feitiço intelectual. Como é patente, Wittgenstein, em sua paixão pela linguagem, esperava demais dos jogos da linguagem, quando na verdade é que a linguagem humana é inadequada para exprimir as verdades mais profundas, e que nosso conhecimento terá sempre que permanecer como algo fragmentar, apesar das experiências místicas que podemos ter, as quais ultrapassam a linguagem e abordam o mundo inefável, onde mais sentimos do que expressamos a verdade. 

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